março 13, 2004

Distopia(6): Caos II - Guerra Mental

Ressaco. O meu corpo vibra como um diapasão. As frequências emitidas povoam o meu âmago, fantasmas entorpecidos que entram agora em ebulição. Tusso, expilo mucos das zonas mais profundas do meu corpo. Partes com que a doce anestesia dos opiáceos haviam cortado relações há eras. Sinto o expugnar da pele por hordes de doença. Saem sobressaltados com a interrupção involuntária das doses. Milhares de milhões que me ensebam todos os poros. Alucino. Vomito. Grito em excitações, parafernálias histéricas. Doze cavaleiros do Apocalipse entram de rompante pelos portões da minha senilidade e decretam a lei marcial. Há guerras, mortes, dissidências, sofreguidão de uns e miséria de outros, células e células, más e piores, terríveis e lancinantes. Rios de sangue correm desgovernados por canais linfáticos, de uma inexpressividade mórbida e aterradora.
Porquê, deuses, porquê? Tanta imundície, escárnio, obra de vampiros argutos que me comem as entranhas.
Que fiz eu, ratos sujos que invadis a minha mente? Deixai-me! Levai convosco essa corrupta forma de viver enegrecida. Bebei do vosso próprio fel, vis criaturas!

Publicado por Tiago Peregrino em 08:52 PM | Comentários (0)