setembro 08, 2009
[...] an object is interesting because it's the crystallization of a good idea. And I like being surrounded by good ideas. Every single time you walk past something you like, you get a blast of happy chemicals to the brain, and I like that.
Douglas Coupland, questionado por Decca Aitkenhead em entrevista ao The Guardian, a propósito do escritor (e artista plástico) possuir incontáveis montes de objectos e projectos pessoais na sua própria casa, enchendo-a até um ponto de densificação exagerada da atmosfera caseira.
Ler o resto aqui.
agosto 28, 2009
Resposta a um e-mail
Não voltei. Simplesmente passei por aqui e tropecei numa parábola distópica. Se caí ao chão e por cá fiquei, ainda está por apurar.
agosto 27, 2009
Cinismo
Estou virtualmente no trabalho. Fisicamente sentado à secretária, ansioso, com as mãos algo trémulas de nervos envelhecidos pelo consumo de drogas passadas. O tempo não flui com a velocidade que eu quero e tenho nada para fazer. Por outro lado, não quero que comecem a cair coisas nesta ferramenta de software inútil de pedidos de alterações, reparações, análises, e outras coisas mais aos milhentos sistemas informáticos que esta corporação tem.
Sinto-me perdido por não ser útil, mas sentir-me-ia miserável se o fosse. Recordo com alguma frequência episódios do "Psicopata Americano" de Bret Easton Ellis. A espiral de demência transformada em espiral de violência. Às vezes não consigo entender como é possível que metade desta gente aguente tanto sapo pela goela, tanto tempo morto passado em cubículos ou "open spaces" normalizados e salubres, pendurados de cartazes cheios de procedimentos para prevenir esta exagerada Gripe A, qual gripe espanhola ou peste bubónica. Destaco sempre com cinismo as regras de comportamento social. Ou melhor, "distanciamento social". Regras que incluem o aconselhamento a não tocar em outros seres humanos. Pelo seu bem. E pelo bem da corporação, que de outra forma se verá espoliada de não sei quantos por cento de "massa laboral", esse objecto abstracto de carga humana em constante avaliação probabilística.
Sento-me ao computador para escrever estas linhas e tentar sentir o pêndulo do tempo passar com maior celeridade. Tic. Tac. Tic. Tac. À minha volta hordas de pessoas movimentam-se por papéis e secretárias, redes de computadores ligados entre si sem medo de gripes, mas alucinados com vírus de hackers russos ou finlandeses.
Há cura para este olhar bovino que me assola o espírito? Para encontrar uma alegria no meio de tanto Kafka?
Com cinismo espero que sim.
outubro 16, 2007
Fuck
Não acredito em Deus, mais do que Deus acredita em mim. Acredito que temos medo de ser mortos, por isso inventámos Deus, que diz que matar é pecado. Acho que inventámos Deus, tanto quanto inventámos a televisão.
Excerto da entrevista telefónica concedida por Nick Tosches a Kathleen Gomes, transcrita e analisada pela jornalista para o suplemento Ípsilon do jornal Público de 12 de Outubro de 2007
junho 07, 2007
Pensamento... (11)
[...] a única diferença entre um suicídio e um martírio é mesmo a quantidade de cobertura jornalística.
Se uma árvore cai na floresta e ninguém está lá para a ouvir, não se limita a ficar ali caída a apodrecer?
E se Cristo tivesse morrido de uma overdose de barbitúricos, sozinho no chão da casa de banho, estaria Ele no Céu?
in "Sobrevivente", de Chuck Palahniuk, edição Casa das Letras, tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa e Vasco Teles de Menezes
setembro 19, 2006
Comentários
Uns tipos quaisquer andam a bombardear com lixo os comentários deste blog há não sei quanto tempo. Decidi por isso, e porque a quantidade também não o justificava, eliminar o link que permite a quem por aqui passa deixar o seu texto.
Não é minha política fazê-lo, mas o problema persiste (mesmo com IP's banidos) e ocupava muita quota em disco que se pretende cheia com outros venenos que não o "Viagra" ou o "Sex College Fuck".
No entanto, o mail continuará a funcionar, mesmo que o blog pareça adormecido durante meses (como o caso actual).
Boas leituras.
maio 06, 2006
Cure For Pain
Where is the ritual?
And tell me where, where is the taste?
Where is the sacrifice?
And tell me where, where is the faith?
Someday there'll be a cure for pain
That's the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain
Where is the cave where the wise woman went?
And tell me where, where's all that money that I spent?
I propose a toast
To my self control
You see it crawlin helpless on the floor
Someday there'll be a cure for pain
That's the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain
Find a cure for
Find a cure for pain
"Cure for Pain", Morphine
Pessimismos
março 20, 2006
Estereografia
junho 07, 2005
No Cinema...
A sétima arte está cheia de filmes "off-beat", "contra-corrente", seja qual for o termo catalogado. Eis alguns, a que se seguirão outros, conforme a disponibilidade e a memória me permitam.
- "Straw Dogs" (1971), de Sam Peckinpah. Provavelmente um dos mais perturbadores estudos sobre o comportamento humano e a responsabilidade subconsciente. A misoginia ou o sexismo de que é acusado por alguns são, na minha opinião, aspectos meramente figurativos e exemplificativos do que Peckinpah pretende com o seu filme: um tratado sobre o paradoxal conflito interior dos nossos sentimentos. Um momento alto é o diálogo final entre a personagem de Dustin Hoffman e David Warner. Nenhum sabe o caminho para casa, porque já nenhum deles consegue reconhecer a fronteira da sua humanidade.
- "Funny Games" (1997), de Michael Haneke. Se o primeiro título que referi usava a violência como ferramenta para retratar uma visão, esta obra de Haneke eleva o padrão a uma mise-en-scéne realista, brutal, num claro piscar de olhos ao consumismo do sangue na sociedade actual. O tema final de John Zorn, mestre do jazz-metal-core, é o corolário de um filme inesquecível (quer se queira, quer não).
junho 06, 2005
O Ciúme da Ressaca
junho 03, 2005
Queimado
maio 23, 2005
No motel da rua Esquerda
O nosso ninho, no meio daqueles lençóis brancos do motel da rua Esquerda, transformara-se num palco de improvisação, uma stand-up comedy da vida real, ou uma jam session de lamentações e querelas aninhadas no mais puro caos. Sempre que Suzy sorria era de sarcasmo, não de prazer ou felicidade. Comecei a questionar o meu saber, aquilo por que alguns investiam em mim como futuro senhor engenheiro doutor das doutas leis dogmáticas.
Depois de algumas lições paguei os préstimos com bonificação, deixei-a sozinha no quarto, e desci as escadas com direcção ao bar de traços art-déco falaciosos. Com dois copos de Jack, ouvi um fantasma ao ouvido que me preconizava a viver com celeridade, não a pensar.